sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Patati Patatá, Bozo e Doutores da Alegria: por que os palhaços sempre fazem sucesso

Posted by Andresson D. | sexta-feira, novembro 09, 2012
Quem viveu a infância na década de 1980 certamente assistiu ao programa do Bozo, que liderava uma turma formada pelos inesquecíveis Papai Papudo, Vovó Mafalda, Salsi Fufu e Bozolina. Pois em 2013 o palhaço voltará ao ar no SBT, ainda sem data definida para reestreia. Também não se sabe quem interpretará o famoso personagem. O certo é que, além do Bozo, outros palhaços sempre habitaram o imaginário infantil: Arrelia, Atchim e Espirro, Tic-Tac (do programa Bambalalão, exibido pela TV Cultura nos anos 1980), os Doutores da Alegria e, mais recentemente, a dupla Patati Patatá. “Para as crianças, o palhaço é uma ponte entre a imaginação e a realidade”, diz a terapeuta infantil Regiane Glashan. “Imaginação porque ao errar, acertar, cair, tropeçar, cantar desafinado, ele é cômico. Realidade porque, em determinados momentos, também se entristece quando faz algo inadequado dentro do contexto da palhaçada. Portanto, o palhaço tem os dois lados, assim como as pessoas em suas vidas”, pondera. A terapeuta explica que, por ser um personagem fictício, a criança se encanta e acaba vendo o palhaço de diversas maneiras. Ele pode ser um amigo querido, uma pessoa que ensina coisas boas, um adulto que está sempre feliz, mas também alguém que é real, pois fala de assuntos do cotidiano com roupagem infantil, estimulando, como no caso do Bozo, bom comportamento social e dedicação aos estudos, tudo de modo divertido. Talvez o grande atrativo do palhaço seja revelar, com bom humor e leveza, o ridículo que todo ser humano carrega em si, assim como a capacidade que todos têm de errar e de perder a qualquer momento. Isso mesmo: no fundo, a palhaçada ensina a criança a lidar com os altos e baixos e mostra que isso faz parte da vida. “O palhaço corre o risco, faz e erra. Ele fala a mesma língua da criança e isso cria uma identificação imediata”, diz Wellington Nogueira, fundador do Doutores da Alegria. Há 21 anos, o grupo – formado por 50 palhaços profissionais – visita crianças hospitalizadas e usa a brincadeira para ajudar os pequenos pacientes a lidar com a doença. Ele conta que, quando entram no quarto, têm apenas um roteiro básico na cabeça, mas quem direciona o desenrolar da brincadeira é a própria criança. E é essa interação “mágica” com o palhaço que ajuda o pequeno paciente a se expressar e a elaborar suas emoções. “As pessoas não têm ideia de como é complexo ser palhaço e de como é importante a experiência da alegria para uma criança internada”, diz. Um bom exemplo dessa conexão das crianças com o palhaço é o sucesso da dupla Patati Patatá, que hoje, além de apresentar um programa de TV, faz shows pelo Brasil, lança livros e CDs, e tem uma grande variedade de produtos licenciados. “Eles resgatam o humor ingênuo do palhaço, auxiliam no desenvolvimento pedagógico da criança usando a música e acabam disseminando boas práticas de convivência e respeito ao próximo”, diz a terapeuta infantil Regiane Glashan. Mas ela lembra que o palhaço, assim como qualquer outra atração televisiva, não deve, nem pode, substituir a atenção, a orientação e a companhia dos pais.  Apesar de estar relacionado à alegria e ao divertimento, muitos pequenos têm medo do palhaço, o que é normal. “Faz parte do desenvolvimento emocional da criança. Cada uma tem suas fantasias e seus medos que, geralmente, são transitórios”, diz a terapeuta. Na ótica da criança de 4 ou 5 anos, o palhaço  é visto como um “estranho” e a expressão facial, por conta da maquiagem, pode ser aterrorizadora. “Os pais não devem forçar a criança a aceitar de prontidão as brincadeiras com o palhaço. Deixar o filho vencer lentamente seus temores é a palavra de ordem”, aconselha.

 (Fonte: Ana Paula de Andrade)
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